Mostra promovida pela Prefeitura de Manaus e Semsa expõe resultados de pesquisas realizadas na rede municipal de saúde.
A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), iniciou na quarta-feira, 29/7, a 9ª Mostra de Pesquisa Científica, realizada no auditório da faculdade UniNorte, na avenida Djalma Batista, bairro Parque 10 de Novembro/Chapada, zona Centro-Sul. Coordenada pela Escola de Saúde Pública (Esap/Semsa), a mostra reúne gestores, pesquisadores, profissionais e estudantes para apresentar trabalhos desenvolvidos na rede municipal de saúde.
Abertura e objetivo
O secretário municipal de Saúde, Nagib Salem, acompanhou a cerimônia de abertura e destacou o papel da Esap no apoio e investimento em pesquisas. Segundo ele, o desenvolvimento de pesquisas permite estabelecer melhor planejamento, implementar novas estratégias, metodologias e fluxos na rede de saúde, o que resulta em fortalecimento do SUS.
“Nós entendemos que é essencial apoiar o desenvolvimento de pesquisas dentro da rede municipal de saúde, assim como a qualificação de profissionais e a formação de acadêmicos da área de saúde. A partir do resultado de pesquisas, é possível estabelecer um melhor planejamento, implementar novas estratégias, metodologias e fluxos na rede de saúde. Como resultado, o SUS acaba fortalecido, com gestores e trabalhadores podendo trabalhar melhor e oferecer um melhor atendimento à população”, afirmou o secretário.
De acordo com a diretora da Esap/Semsa, Karina Gomes Cerquinho, a mostra é uma estratégia para que pesquisadores com projetos em desenvolvimento ou concluídos na rede municipal apresentem os resultados à sociedade. “São pesquisadores de diferentes instituições de ensino superior e institutos de pesquisa, englobando projetos de iniciação científica, graduação, mestrado, doutorado e estudos multicêntricos. As pesquisas são realizadas nos espaços da Semsa, junto aos usuários, trabalhadores ou gestores. A mostra científica é uma forma para que a sociedade conheça o que foi feito e os resultados obtidos”, informou Karina Cerquinho.
Programação do primeiro dia
No primeiro dia, foi realizada a palestra “A Ciência que Move o SUS: Como a Engrenagem da Pesquisa Fortalece a Saúde Pública Municipal”, conduzida pela chefe do Núcleo de Pesquisa da Esap, Márcia Poinho Encarnação de Morais, doutora em Imunologia Básica e Aplicada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Márcia reforçou a importância da pesquisa para a tomada de decisão no SUS, em especial no território de Manaus, considerando as especificidades locais.
“Hoje, os protocolos clínicos que a gente utiliza na ponta do atendimento são resultado de pesquisas científicas. As inovações tecnológicas que gestores implantam em determinados territórios precisam ser testadas e comprovadas, o que é feito por meio de pesquisa científica. As pesquisas impactam na tomada de decisão, nas mudanças nos protocolos de atendimento, nas mudanças ou criação de políticas públicas, sobretudo no nosso território amazônico, que tem suas particularidades”, afirmou Márcia Poinho.
Apresentações e temas
No encerramento da mostra, nesta quinta-feira, 30/7, a programação seguiu com apresentações dos resultados de pesquisas realizadas em cenários de prática da Semsa, como Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e a Maternidade Dr. Moura Tapajóz. Ao todo, o evento reúne 35 trabalhos nas áreas temáticas de Saúde Bucal, Atenção Primária à Saúde, Condições Crônicas, Apoio Diagnóstico, Saúde da Mulher, Vigilância Epidemiológica, Vigilância Ambiental, Atenção Psicossocial, Saúde da Criança, Saúde do Adolescente e Saúde do Idoso.
Os trabalhos abordaram temas como impactos da mudança climática na população ribeirinha do Amazonas; desafios para adesão ao tratamento da tuberculose em Manaus; incidência de prematuridade em uma maternidade da cidade; assistência de enfermagem em saúde mental em um Centro de Atenção Psicossocial; prevenção de acidentes por animais peçonhentos por meio de tecnologia educacional; e esporotricose felina em Manaus.
O enfermeiro Dario Aguiar, servidor da Semsa e gerente de Gestão da Atenção Primária, participou com o trabalho “Atenção Primária à Saúde (APS) na Área Rural do Município de Manaus/Amazonas: Avaliação dos Atributos Essenciais e Derivados”, como projeto do mestrado em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz – Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia). O estudo envolveu 40 profissionais que atuavam em unidades de saúde da zona rural ribeirinha, zona rural terrestre e nas Unidades Básicas de Saúde Fluvial Dr. Ney Lacerda e Dr. Antônio Levino.
“O objetivo foi avaliar os atributos da atenção primária à saúde na área rural e saber se a rede de saúde instalada está orientada para esses atributos, atendendo as necessidades dessa população. Enquanto gestor, servidor e pesquisador, é importante fazer a devolutiva do trabalho de pesquisa para a sociedade, fortalecendo a gestão ao proporcionar evidências científicas para a tomada de decisão e qualificação do processo de trabalho no cotidiano do serviço”, afirmou Dario Aguiar.
Jornada de Iniciação Científica
Durante a programação também foi realizada a 4ª Jornada de Iniciação Científica, com apresentação final das pesquisas do Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic/Esap/Semsa), edição 2025-2026. O programa conta com recursos financeiros e bolsas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
A coordenadora do Paic, Priscilla Farias Naiff, explicou que cinco bolsistas de iniciação científica, alunos de graduação, apresentaram trabalhos desenvolvidos durante um ano, com apoio de orientadores servidores da Semsa. Os temas incluíram avaliação de abordagens integrativas na odontologia; pré-natal odontológico e nascimento de prematuros e/ou recém-nascidos de baixo peso; soroprevalência de hepatite B em pacientes atendidos no Laboratório Distrital Oeste no período de 2021 a 2025; intervenções psicoeducativas para mães acolhidas em albergue de maternidade pública; e impacto das mudanças climáticas nas condições sensíveis à atenção primária em Manaus/AM.
“Com o resultado das pesquisas podemos fazer um diagnóstico situacional, mostrar para a gestão da saúde quais são os gargalos nos serviços, os problemas que temos, propor soluções e talvez até incentivar a implementação de novas políticas públicas e melhorias no serviço para os próprios trabalhadores ou usuários”, apontou a coordenadora.
Texto – Eurivânia Galúcio / Semsa
Fotos – Divulgação / Semsa
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Publicado em: 30/07/2026 às 12:25

