Audiência na Câmara aponta impacto do crime organizado e da informalidade sobre o PIB e o setor têxtil

Audiência na Câmara tratou dos efeitos da pirataria e da informalidade sobre a economia brasileira.

Em audiência realizada na Câmara dos Deputados em 09/06/2026 – 21:22, representantes do setor têxtil e pesquisadores explicaram como o crime organizado e a informalidade afetam a economia, com dados sobre participação no Produto Interno Bruto e falsificação de produtos.

Informalidade e participação no PIB

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, Fernando Pimentel, afirmou que a informalidade já representa entre 12% e 15% do PIB do país e destacou que, nos países escandinavos, esse índice não passa de 4%.

Segundo Pimentel, em 2025 34% das camisas esportivas vendidas no Brasil eram falsificadas, o que corresponde a cerca de 225 milhões de peças, aproximadamente. Ele relacionou esse quadro à informalidade da mão de obra, que estaria próxima de 40%, e afirmou que a insegurança tem impacto econômico: aumento dos seguros e redução da geração de empregos formais.

Custos de segurança e ataques ao setor

O diretor de Pesquisa da Nexus, André Jácomo, apresentou levantamento que indicou que 73% dos industriais entrevistados disseram que investimentos em segurança elevam o custo dos produtos brasileiros. A pesquisa apontou também que 17% das indústrias sofreram ataques cibernéticos, 20% tiveram roubo de carga e 16% foram roubadas dentro das próprias instalações.

Jácomo afirmou que os gastos com segurança digital e seguros representam cerca de 1% do faturamento líquido da indústria.

Articulação intergovernamental e comitês de recuperação

Os participantes da audiência defenderam atuação coordenada para combater o crime organizado, envolvendo União, estados, municípios e órgãos de segurança pública. O coordenador da Comissão de Crimes Econômicos e Investigações Financeiras do Ministério Público Federal, Henrique de Sá Valadão Lopes, informou que alguns estados criaram comitês de recuperação de ativos que reúnem Ministério Público estadual, polícias e secretarias de Fazenda.

Henrique Lopes disse que a União criou um comitê semelhante no início do ano passado e sugeriu a apresentação de um projeto de lei para regulamentar a cooperação entre órgãos, porque algumas normas atuais limitam a atuação coordenada a situações específicas.

O debate foi convocado pela comissão externa da Câmara sobre atos de pirataria, a pedido do coordenador do colegiado, deputado Julio Lopes (PP-RJ). O parlamentar pediu que Henrique Lopes apresente uma sugestão de projeto de lei à comissão externa e afirmou que dará encaminhamento à proposta.

Reportagem – Maria Neves
Edição – Geórgia Moraes

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Publicado em: 09/06/2026 às 20:22
Categoria(s): Política Nacional