sábado, 10 de outubro de 2026
Tecnologia

Relatório projeta que a aprendizagem contínua será decisiva para o trabalho até 2030

Estudo destacado no relatório “Core Skills in 2030”, do Fórum Econômico Mundial, aponta que inteligência artificial, análise, criatividade, adaptação e liderança estarão entre as capacidades mais exigidas dos profissionais. Cibersegurança, sustentabilidade, experiência do usuário e aprendizado contínuo aparecem como habilidades emergentes.
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O avanço da tecnologia, as mudanças sociais e as novas exigências do setor produtivo devem alterar a forma como as competências profissionais são avaliadas até 2030. Um estudo do Fórum Econômico Mundial, destacado no relatório “Core Skills in 2030”, organiza as habilidades que tendem a ganhar importância, permanecer estáveis ou perder espaço no mercado de trabalho.

O levantamento foi elaborado a partir da expectativa de empregadores ao redor do mundo e apresenta quatro grupos de competências: Habilidades Emergentes, Habilidades Essenciais para 2030, Habilidades Estáveis e Habilidades Fora de Foco. A divisão indica que a preparação profissional deverá combinar domínio tecnológico, capacidade de análise, comportamento adaptável e aprendizado permanente.

Competências essenciais devem combinar tecnologia e comportamento

Entre as habilidades classificadas como essenciais para 2030 estão inteligência artificial e big data, pensamento analítico, criatividade, resiliência, flexibilidade, agilidade, liderança, influência social, alfabetização tecnológica, motivação e autoconsciência.

A presença desses grupos na mesma categoria mostra que o perfil profissional projetado para os próximos anos não depende apenas do conhecimento de ferramentas digitais. A expectativa apresentada no estudo é de que os trabalhadores também saibam interpretar informações, tomar decisões, lidar com mudanças e conduzir relações em ambientes profissionais mais diversos.

Inteligência artificial e big data

O uso de inteligência artificial para analisar dados e apoiar tomadas de decisão tende a se tornar mais comum com a digitalização dos processos e a expansão da automação. Nesse cenário, compreender e utilizar essas ferramentas aparece como uma capacidade de relevância crescente.

A competência não é apresentada como exclusiva de profissionais de tecnologia da informação. A alfabetização tecnológica também é apontada como requisito para trabalhadores de outras áreas, já que ferramentas digitais, softwares de automação e recursos de análise de dados devem fazer parte da rotina de diferentes setores.

Pensamento analítico e criatividade

O pensamento analítico reúne a capacidade de interpretar dados e resolver problemas complexos. A criatividade, por sua vez, está associada ao desenvolvimento de soluções para produtos, serviços e processos.

Segundo a abordagem apresentada no material, a automação amplia o peso relativo dessas competências humanas. Em vez de depender apenas da execução de tarefas, o profissional deverá compreender situações, formular alternativas e participar da criação de respostas para problemas novos.

Adaptação, liderança e autoconsciência

Resiliência, flexibilidade e agilidade aparecem relacionadas à necessidade de responder a mudanças constantes no mercado. O estudo considera que profissionais capazes de lidar com desafios e ajustar sua atuação a novas demandas terão papel importante nas organizações.

Liderança e influência social também integram as habilidades essenciais. A expectativa é de que empresas busquem pessoas capazes de motivar e orientar equipes em ambientes remotos, distribuídos e multiculturais.

Motivação e autoconsciência completam esse conjunto. O material relaciona essas capacidades à inteligência emocional, ao gerenciamento das próprias emoções e à disposição para manter o desempenho diante das exigências profissionais.

Quatro habilidades aparecem como tendências emergentes

Além das competências consideradas essenciais, o relatório destaca áreas que estão crescendo em importância e podem se tornar diferenciais para profissionais que buscam se preparar para o mercado de trabalho de 2030.

Entre as habilidades emergentes estão cibersegurança e redes, gestão ambiental e sustentabilidade, design e experiência do usuário, além de curiosidade e aprendizado contínuo.

Cibersegurança e redes

A expansão dos negócios digitais aumenta a importância da segurança da informação. Por isso, conhecimentos relacionados a cibersegurança e redes aparecem entre as áreas com demanda crescente no levantamento.

A habilidade está ligada à proteção de sistemas, informações e operações em um cenário de maior dependência tecnológica. O material, porém, não restringe a preparação profissional a uma única formação ou setor, destacando a ampliação da digitalização dos negócios.

Sustentabilidade e gestão ambiental

A gestão ambiental também é apontada como uma competência em ascensão. O interesse das empresas por práticas sustentáveis faz com que conhecimentos ligados ao tema ganhem espaço em diferentes indústrias.

Nesse grupo, a sustentabilidade aparece como uma habilidade relacionada às novas demandas do setor produtivo. O relatório a coloca entre os campos que podem se tornar mais relevantes à medida que as organizações incorporam preocupações ambientais à sua atuação.

Experiência do usuário

O design e a experiência do usuário são apresentados como fatores de diferenciação para marcas e produtos no ambiente digital. A capacidade de desenvolver soluções centradas nas necessidades do usuário tende, portanto, a ocupar uma posição mais importante.

O destaque dado ao tema amplia a discussão sobre tecnologia para além da operação de sistemas. A forma como consumidores interagem com serviços e produtos digitais também passa a integrar o conjunto de competências valorizadas.

Curiosidade e aprendizagem contínua

A curiosidade e a disposição para aprender permanentemente aparecem entre as tendências emergentes. Em um mercado sujeito a mudanças, o profissional deverá manter a capacidade de adquirir novos conhecimentos ao longo da carreira.

O aprendizado contínuo é apresentado como a principal mensagem do relatório para a preparação profissional. A ideia é que a formação não se encerre em uma etapa única, mas acompanhe a transformação das ferramentas, dos processos e das demandas do trabalho.

Habilidades básicas continuam importantes, mas deixam de ser diferenciais

O levantamento também identifica competências que tendem a perder relevância relativa. Entre elas estão leitura, escrita e matemática básica; destreza manual e precisão; além de atenção aos detalhes e precisão.

O material não afirma que leitura, escrita e matemática deixarão de ser necessárias. A avaliação é que, embora fundamentais, essas habilidades não deverão funcionar como os principais diferenciais competitivos, em razão do avanço de ferramentas automatizadas capazes de assumir parte dessas tarefas.

A destreza manual e a precisão também aparecem associadas à automação de atividades motoras e físicas detalhadas, especialmente nos segmentos de manufatura e indústria. Já a atenção aos detalhes e a precisão ainda são consideradas relevantes em algumas áreas, mas passam a dividir espaço com sistemas automatizados e recursos de inteligência artificial.

A classificação, portanto, não elimina o valor dessas competências. Ela indica uma mudança de prioridade na preparação profissional: habilidades antes associadas à execução de tarefas passam a ter peso relativo menor diante da expansão de tecnologias capazes de realizar parte desse trabalho.

Empresas também terão de acompanhar a mudança

A preparação para o mercado de trabalho de 2030 não é apresentada como responsabilidade exclusiva dos profissionais. O material também aponta a importância de as empresas promoverem a capacitação de seus funcionários.

Organizações que investirem no desenvolvimento de competências como pensamento analítico, criatividade, liderança e alfabetização digital poderão formar equipes mais preparadas para lidar com a economia digital, segundo a conclusão apresentada no texto.

A transformação projetada envolve, ao mesmo tempo, conhecimento técnico e capacidades comportamentais. A inteligência artificial e o big data aparecem ao lado de resiliência, influência social, motivação e autoconsciência. A combinação sugere que a adaptação ao futuro do trabalho dependerá tanto do uso de tecnologias quanto da capacidade de tomar decisões e trabalhar com outras pessoas.

O que o mapa de competências indica para a carreira

O estudo do Fórum Econômico Mundial oferece uma classificação das habilidades conforme a expectativa dos empregadores para os próximos anos. A organização em quatro categorias permite visualizar uma mudança no valor relativo das competências dentro da economia digital.

Na prática, o profissional projetado para 2030 é aquele que consegue transitar entre dados, ferramentas tecnológicas, resolução de problemas, inovação e relações humanas. A atualização constante se torna necessária porque as habilidades exigidas podem mudar conforme os processos de trabalho e as tecnologias avancem.

O relatório “Core Skills in 2030” não apresenta uma lista restrita a uma profissão específica. As competências descritas alcançam diferentes setores e incluem desde conhecimentos de inteligência artificial, big data e cibersegurança até criatividade, liderança, sustentabilidade e experiência do usuário.

Com isso, a preparação profissional indicada pelo levantamento se organiza em torno de três movimentos: ampliar a familiaridade com a tecnologia, fortalecer a capacidade de análise e inovação e desenvolver condições para acompanhar mudanças ao longo da carreira.

Sobre o autor

Tiago Paiva é publicitário e estudou Liderança da Inovação no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e Direção de Projetos Complexos em Cambridge. Foi responsável pela Gerência de Projetos Estratégicos no Ministério da Educação e integrou o Conselho da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).

Também liderou o planejamento de projetos como Ronda no Bairro e Modernização do Transporte Público em Manaus. Como diretor-presidente da Processamento de Dados do Amazonas, gerenciou orçamento de R$ 350 milhões, segundo o material, com transparência e prestação de contas. Na função de coordenador-geral de Modernização da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), atuou na gestão de incentivos fiscais do Polo Industrial de Manaus.

O autor também liderou projetos estaduais no governo do Amazonas e tem experiência em gestão de projetos, transparência financeira, coordenação de equipes e inovação.

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