segunda-feira, 28 de setembro de 2026
SAÚDE

Como se proteger de doenças transmitidas por mosquitos no DF, em Brasília

Moradores do Distrito Federal podem adotar medidas simples para reduzir a presença de mosquitos e evitar picadas. A prevenção inclui vistoria semanal de imóveis, uso adequado de repelentes, roupas que cubram a pele, telas e atenção aos sinais de alerta de doenças como dengue, chikungunya e zika.

Proteger-se de doenças transmitidas por mosquitos no Distrito Federal exige uma combinação de cuidados individuais e ações no ambiente. Em Brasília e nas demais regiões administrativas, a principal preocupação é o mosquito Aedes aegypti, vetor de dengue, chikungunya e zika. A prevenção depende da eliminação de locais que acumulam água, da redução do contato com o inseto e da identificação rápida de sintomas.

O mosquito pode se reproduzir em recipientes pequenos, como pratos de vasos de plantas, baldes, garrafas, calhas, ralos, pneus e materiais descartados em quintais. Por isso, a vistoria não deve ocorrer apenas durante períodos de chuva ou quando há aumento de casos. A recomendação das autoridades de saúde é manter o cuidado de forma permanente.

Quais doenças podem ser transmitidas por mosquitos

As arboviroses são infecções causadas por vírus transmitidos principalmente por artrópodes, como os mosquitos. No ambiente urbano, o Aedes aegypti está associado sobretudo à transmissão dos vírus da dengue, da chikungunya e da zika. O mesmo mosquito pode picar pessoas infectadas e levar o vírus a outras pessoas.

A dengue costuma provocar febre alta de início repentino, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores musculares e articulares, cansaço, enjoo e manchas vermelhas na pele. A chikungunya é frequentemente marcada por dor intensa nas articulações, que pode persistir por mais tempo. A zika pode causar febre baixa, manchas na pele, conjuntivite sem secreção purulenta, dor nas articulações e dor muscular, embora também possa não apresentar sintomas.

O mosquito não precisa estar visível para representar risco. O Aedes aegypti pode se esconder em áreas internas e externas e costuma picar principalmente durante o dia. Por esse motivo, a proteção deve ser mantida também dentro de casa, em escolas, locais de trabalho e durante atividades ao ar livre.

Elimine os criadouros toda semana

A principal medida contra a proliferação do mosquito é eliminar recipientes com água parada ou mantê-los devidamente vedados. A orientação vale para casas, apartamentos, comércios, escolas, terrenos e áreas comuns de condomínios.

Uma vistoria semanal deve incluir vasos de plantas, bandejas de geladeiras e aparelhos de ar-condicionado, caixas-d’água, calhas, ralos, lajes, piscinas, brinquedos, lonas, pneus e objetos armazenados em quintais. Recipientes que não puderem ser descartados precisam ser lavados, escovados e mantidos tampados.

Não basta retirar a água visível. O mosquito pode depositar ovos nas paredes internas de recipientes. Por isso, a limpeza com água e sabão ou escova é importante antes de encher novamente o objeto. Garrafas e outros materiais que possam acumular chuva devem ser guardados de cabeça para baixo ou encaminhados para descarte adequado.

Caixas-d’água, tonéis e outros reservatórios devem permanecer completamente fechados. Calhas precisam ser mantidas desobstruídas para evitar o acúmulo de água. Ralos pouco utilizados podem ser mantidos limpos e protegidos, desde que a solução adotada seja compatível com a orientação sanitária e não provoque riscos dentro do imóvel.

A colaboração entre vizinhos também é necessária. Um foco em um terreno, área abandonada ou imóvel fechado pode favorecer a presença de mosquitos em toda a vizinhança. Ao identificar um possível criadouro em espaço público ou em local que não possa ser acessado pelo morador, a população deve procurar os canais oficiais da Secretaria de Saúde do Distrito Federal ou da administração regional responsável.

Use repelente de forma correta

Repelentes de uso tópico podem ser utilizados nas áreas expostas do corpo, desde que tenham registro nos órgãos competentes e sejam aplicados conforme as instruções do rótulo. Produtos com icaridina, DEET ou IR3535 estão entre os princípios ativos utilizados para afastar mosquitos.

O repelente não elimina o mosquito nem substitui a retirada de água parada. Sua função é reduzir a possibilidade de picadas durante o período de proteção indicado pelo fabricante. A reaplicação deve respeitar o intervalo informado na embalagem, considerando fatores como suor, contato com água e duração de efeito do produto.

Em produtos em spray, a orientação é aplicar primeiro nas mãos e depois espalhar no rosto ou na pele da criança. Deve-se evitar olhos, boca, narinas, mucosas, pele irritada e feridas. Após a aplicação, é importante lavar as mãos. O repelente não deve ser ingerido nem aplicado em quantidade maior do que a recomendada.

Crianças exigem atenção especial. Os responsáveis devem verificar a faixa etária autorizada na embalagem e supervisionar a aplicação. O Ministério da Saúde orienta que produtos à base de DEET não sejam usados em crianças menores de 2 anos; entre 2 e 12 anos, há recomendações específicas sobre concentração e frequência. Como as regras podem variar conforme o produto, o rótulo deve ser seguido integralmente.

Para bebês e crianças pequenas, telas, mosquiteiros e roupas adequadas são medidas importantes. Gestantes podem utilizar repelentes devidamente registrados, desde que sigam as instruções do fabricante. Em caso de dúvida sobre o produto ou de reação na pele, a orientação deve ser buscada com um profissional de saúde.

Prefira roupas que cubram a pele

Calças compridas, camisas de mangas longas, meias e calçados fechados reduzem a área exposta às picadas. A medida é especialmente útil em locais com vegetação, durante atividades ao ar livre e em ambientes onde há maior presença de mosquitos.

Roupas claras podem facilitar a visualização de insetos e são uma escolha prática em áreas externas. Ainda assim, a cor da roupa não substitui o uso de repelente nem a eliminação de criadouros. Tecidos muito finos podem permitir a picada, por isso a proteção deve considerar a espessura e a cobertura da peça.

Em residências, telas de malha fina em portas e janelas ajudam a reduzir a entrada de mosquitos. Mosquiteiros podem ser usados sobre camas e berços, principalmente por pessoas que permanecem deitadas durante o dia. Ventiladores e ambientes arejados podem dificultar a aproximação do inseto, mas não devem ser considerados uma barreira única de proteção.

Cuidados em casas, escolas e locais de trabalho

A prevenção deve ser incorporada à rotina dos imóveis. Em condomínios, síndicos e administradores precisam verificar áreas comuns, casas de máquinas, jardins, garagens, depósitos, piscinas e pontos de drenagem. Em escolas e creches, a inspeção deve alcançar pátios, brinquedos, caixas de areia, calhas e recipientes usados em atividades.

Empresas e órgãos públicos também devem manter áreas externas livres de materiais que acumulem água. Lixeiras precisam permanecer fechadas e os resíduos devem ser acondicionados de forma a impedir a entrada da chuva. Obras e terrenos com materiais expostos requerem atenção adicional, porque baldes, lonas, tubos e equipamentos podem se transformar em criadouros.

Durante viagens ou deslocamentos para áreas com maior circulação de doenças transmitidas por mosquitos, o cuidado deve continuar. Antes de se instalar em hotéis, pousadas ou casas de temporada, é recomendável observar a existência de recipientes com água acumulada e verificar se portas e janelas têm telas. Passeios em áreas de vegetação exigem roupas que cubram o corpo e aplicação de repelente conforme o rótulo.

O que fazer se surgirem sintomas

Febre, dor de cabeça, dor no corpo, dor nas articulações, manchas na pele, náusea, cansaço ou conjuntivite podem ocorrer em diferentes infecções e não permitem confirmar sozinhos qual doença está presente. A pessoa com sintomas deve procurar atendimento em uma unidade de saúde para avaliação e orientação.

Na suspeita de dengue, não é recomendado tomar medicamentos por conta própria. O tratamento costuma envolver hidratação e repouso, conforme orientação profissional. A utilização de ácido acetilsalicílico, anti-inflamatórios e outros medicamentos deve ser discutida com um profissional, porque alguns podem aumentar o risco de sangramento ou não ser adequados ao quadro.

Os sinais de alerta incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura ou desmaio, dificuldade para respirar, sangramentos no nariz ou na gengiva, sangue nas fezes, sonolência excessiva ou irritabilidade. Esses sintomas exigem atendimento imediato, principalmente quando aparecem após a redução da febre, período em que a dengue pode evoluir para formas graves.

Gestantes, crianças, pessoas idosas e pacientes com doenças crônicas precisam de atenção especial diante de sintomas compatíveis com arboviroses. A avaliação precoce ajuda a definir o acompanhamento necessário e a reconhecer sinais de agravamento.

Prevenção depende de ações contínuas

O controle das doenças transmitidas por mosquitos não depende de uma única medida. Repelente, roupa comprida, telas e mosquiteiros reduzem o contato com o inseto, mas a eliminação dos criadouros é essencial para diminuir a população do Aedes aegypti.

Em Brasília, a prevenção deve considerar a rotina de cada imóvel e as condições do período. Depois de chuvas, é importante fazer uma nova inspeção em quintais, varandas, lajes e áreas comuns. Durante a estiagem, reservatórios e recipientes também precisam ser monitorados, porque a água pode permanecer acumulada em locais protegidos.

Informações sobre dengue e outras arboviroses podem ser consultadas no site da Secretaria de Saúde do Distrito Federal e nas orientações do Ministério da Saúde. Para dúvidas sobre repelentes e produtos de controle de mosquitos, a população também pode consultar as recomendações da Anvisa.

Ao reservar alguns minutos por semana para vistoriar o imóvel e ao adotar proteção contra picadas, cada morador contribui para reduzir o risco de transmissão no Distrito Federal.