segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Cidades

Santa Maria, no Distrito Federal, amplia áreas residenciais com novos projetos urbanísticos

Santa Maria, no Distrito Federal, passa por um ciclo de expansão residencial baseado em estudos urbanísticos, novos parcelamentos e mudanças na Lei de Uso e Ocupação do Solo. O processo começou com a ocupação da área nos anos 1990 e ganhou novas etapas com a previsão de bairros, equipamentos públicos, comércio e serviços.

Santa Maria, no Distrito Federal, amplia suas áreas residenciais por meio de novos parcelamentos urbanos, estudos de expansão territorial e mudanças nas regras de uso e ocupação do solo. O movimento ocorre em diferentes etapas e combina a criação de novos bairros com a reorganização de áreas já ocupadas.

Entre os principais marcos desse processo estão o Estudo Territorial Urbanístico da Área de Expansão de Santa Maria, aprovado em 2021, o projeto do bairro Meireles MRV, aprovado em 2022 e novamente disciplinado por ato publicado em 2026, e a atualização da Lei de Uso e Ocupação do Solo do Distrito Federal, sancionada em 2025.

A expansão não representa apenas o aumento da quantidade de moradias. Os projetos também preveem comércio, prestação de serviços, equipamentos públicos, espaços livres de uso público e infraestrutura viária. A proposta oficial é promover uma ocupação ordenada, com integração entre habitação, mobilidade e atividades econômicas.

De área rural a região administrativa

A história urbana de Santa Maria está ligada à expansão de Brasília e à necessidade de acomodar famílias que chegavam ao Distrito Federal. Antes de se consolidar como região administrativa, o território fazia parte da área rural vinculada ao Gama e era conhecido como Núcleo Rural Santa Maria.

A ocupação urbana começou a ganhar forma no início da década de 1990. Em 1992, a Câmara Legislativa autorizou a criação de uma nova administração regional. No ano seguinte, um decreto do governo distrital concretizou a criação de Santa Maria como Região Administrativa XIII.

De acordo com informações históricas divulgadas pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, a região está a cerca de 26 quilômetros de Brasília e reúne áreas como Marinha, Saia Velha e Polo JK. A formação urbana ocorreu em um território amplo, com áreas residenciais, industriais, rurais e de preservação ambiental.

Nas décadas seguintes, Santa Maria passou por sucessivas etapas de urbanização. O crescimento consolidou quadras residenciais, áreas comerciais e conjuntos habitacionais, ao mesmo tempo em que aproximou a região de outros núcleos urbanos do eixo sul do Distrito Federal.

Estudo prevê expansão de 839 hectares

Um dos instrumentos mais importantes para a expansão residencial de Santa Maria é o Estudo Territorial Urbanístico da Área de Expansão. Publicado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Habitação, o documento abrange uma área de 839 hectares e estima uma população máxima de até 122.740 habitantes.

O estudo foi aprovado por meio da Portaria nº 6, publicada em fevereiro de 2021. Sua função é estabelecer diretrizes para o parcelamento do solo, a regularização fundiária e a definição dos usos urbanos permitidos. O documento também serve como referência para o licenciamento de atividades econômicas e para a elaboração dos projetos urbanísticos.

Segundo a Seduh-DF, o estudo organiza informações sobre localização, sistema viário, circulação, zoneamento, parâmetros urbanísticos e densidade populacional. Na prática, isso significa que os futuros empreendimentos devem seguir regras previamente estabelecidas para a ocupação da área.

A existência do estudo não significa que toda a área esteja imediatamente liberada para construção. A implantação de cada parcelamento depende de projetos específicos, licenciamento, aprovação dos órgãos responsáveis e atendimento às exigências de infraestrutura e proteção ambiental.

Meireles MRV prevê 663 unidades residenciais

Outro passo na ampliação das áreas residenciais foi a aprovação do projeto urbanístico denominado Meireles MRV, localizado no Setor Meireles. O empreendimento foi aprovado originalmente pelo Decreto nº 43.894, de 27 de outubro de 2022.

O projeto prevê 663 unidades residenciais e capacidade estimada para até 2.191 moradores. A área também inclui lotes destinados a comércio, prestação de serviços, equipamentos públicos e espaços livres de uso público.

Conforme informado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, a infraestrutura do novo bairro deve ser executada pela empresa proprietária da área. A previsão de comércio e serviços busca evitar que o novo núcleo seja formado apenas por moradias isoladas, sem atividades complementares.

O projeto passou por novas etapas administrativas. Em 10 de março de 2026, o Decreto nº 48.348 voltou a aprovar o parcelamento urbano do Meireles MRV e revogou o Decreto nº 47.197, de 2025. A atualização mostra que a implantação de um bairro envolve procedimentos sucessivos, com revisão e consolidação dos documentos urbanísticos.

Além das unidades residenciais, o parcelamento prevê áreas para escolas e outros equipamentos comunitários. Esses espaços são importantes para atender à população que será incorporada à região e reduzir a dependência de deslocamentos para outras áreas do Distrito Federal.

Mudanças na Lei de Uso e Ocupação do Solo

A expansão residencial de Santa Maria também está relacionada à mudança das regras de uso dos lotes existentes. Em junho de 2025, o governo distrital sancionou a Lei Complementar nº 1.047, que alterou a Lei de Uso e Ocupação do Solo, conhecida como Luos.

Uma das mudanças permite que lotes institucionais localizados ao longo da Avenida Alagados sejam utilizados também para comércio e prestação de serviços. A medida amplia as possibilidades de ocupação de áreas que antes tinham uso mais restrito.

A legislação também passou a permitir, em alguns lotes de quadras residenciais, a combinação de atividades econômicas no térreo com moradias nos pavimentos superiores. A proposta é criar áreas de uso misto, com maior proximidade entre habitação, comércio e serviços cotidianos.

A alteração foi baseada no Plano de Intervenção Urbana de Santa Maria, elaborado pela Seduh-DF. O plano discutiu medidas como a requalificação da Avenida Alagados, a melhoria das áreas públicas entre as quadras residenciais e a dinamização da economia local.

As mudanças não transformam todas as áreas residenciais em zonas comerciais. A autorização depende da classificação de cada lote e dos parâmetros definidos na legislação. O objetivo é permitir novas atividades em pontos específicos, preservando as regras urbanísticas aplicáveis às demais áreas.

Planejamento viário e qualidade urbana

O crescimento residencial aumenta a necessidade de planejamento da circulação. Novos moradores significam mais deslocamentos para escolas, unidades de saúde, comércio, trabalho e transporte público. Por isso, os projetos urbanísticos precisam prever ruas, acessos, calçadas, áreas de estacionamento e conexão com o sistema viário existente.

A Seduh-DF mantém diretrizes específicas para intervenções viárias na região. Entre elas está a intervenção no acesso de Santa Maria, registrada como DIV 09/2024. O documento integra o conjunto de instrumentos usados para orientar melhorias e adequações na circulação local.

O Plano de Intervenção Urbana também identificou problemas relacionados ao uso das áreas públicas e à circulação entre as quadras. Em levantamento apresentado no plano, moradores apontaram dificuldades de deslocamento e avanço de lojas sobre espaços públicos como questões relevantes para a região.

Esses desafios mostram que a expansão das áreas residenciais não depende apenas da abertura de novos lotes. A qualidade da urbanização também está ligada à existência de calçadas acessíveis, áreas verdes, equipamentos públicos, iluminação, transporte coletivo e organização dos espaços destinados às atividades comerciais.

Habitação e regularização fundiária

A ampliação de áreas residenciais em Santa Maria está inserida em uma política mais ampla de oferta habitacional e regularização fundiária no Distrito Federal. O Estudo Territorial Urbanístico da expansão foi elaborado justamente para orientar áreas previstas no Plano Diretor de Ordenamento Territorial.

O planejamento busca diferenciar empreendimentos aprovados de ocupações sem licenciamento ou sem infraestrutura adequada. Em áreas regularizadas, o parcelamento deve observar parâmetros de densidade, sistema viário, destinação de áreas públicas e atendimento às exigências ambientais.

A regularização também permite definir responsabilidades. Em projetos privados, o empreendedor pode ser responsável pela implantação da infraestrutura prevista. Já em áreas públicas ou de interesse social, a execução depende dos órgãos governamentais e dos programas habitacionais aplicáveis.

A existência de regras, porém, não elimina os desafios. A expansão precisa ser acompanhada por fiscalização, atualização dos projetos e avaliação dos impactos sobre trânsito, saneamento, drenagem, serviços públicos e meio ambiente.

O que muda para Santa Maria

O conjunto de medidas indica uma mudança no perfil de crescimento de Santa Maria. A região deixa de ser vista apenas como área de expansão habitacional e passa a ser planejada também como espaço de comércio, serviços, circulação e equipamentos comunitários.

Os novos bairros podem aumentar a oferta de moradias e estimular a atividade econômica local. A criação de usos mistos, por sua vez, pode favorecer a formação de centralidades e reduzir a necessidade de deslocamentos para o Plano Piloto ou outras regiões administrativas.

Ao mesmo tempo, a ampliação da ocupação exige atenção à capacidade das redes de água, esgoto, energia, drenagem e transporte. Também é necessário preservar áreas ambientalmente sensíveis e impedir que a expansão ocorra sem a estrutura urbana correspondente.

O futuro da região dependerá da execução dos projetos aprovados e do cumprimento das etapas de licenciamento e implantação. Por enquanto, os documentos oficiais mostram que Santa Maria tem áreas residenciais em expansão, mas esse crescimento está associado a diferentes instrumentos de planejamento e não a uma única obra ou empreendimento.

Com novos parcelamentos, mudanças na legislação e estudos para ordenar o território, Santa Maria segue consolidando sua posição no eixo sul de Brasília. A expansão urbana amplia as possibilidades de moradia e atividade econômica, mas também reforça a necessidade de planejamento contínuo para que o crescimento seja acompanhado por infraestrutura e serviços públicos.