domingo, 27 de setembro de 2026
Política

Cinco categorias aparecem em projeto de Alfredinho sobre piso e condições de trabalho

Proposta em análise na Câmara dos Deputados inclui auxiliares de laboratório, radiologia, saúde bucal, internos e técnicos em Prótese Dentária. Texto também prevê adicional de 50% para trabalho noturno e horas extras.
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O Projeto de Lei 3038/26, em análise na Câmara dos Deputados, reúne cinco categorias de apoio médico e odontológico em uma proposta de piso salarial e regras específicas de jornada. O texto estabelece remuneração de R$ 3.624 para profissionais com carga horária de 20 horas semanais, com cálculo proporcional para jornadas diferentes e limite de 40 horas por semana.

A proposta foi apresentada pelo deputado Alfredinho (PT-SP) e também trata de reajuste anual, horas extras, trabalho noturno, repouso durante o expediente e limite de jornada para quem tem mais de um empregador.

Quais profissionais estão incluídos

O projeto considera como auxiliares de médicos e cirurgiões-dentistas os auxiliares de laboratório e de radiologia, os internos de serviço médico ou odontológico, os técnicos em Prótese Dentária, os Técnicos em Saúde Bucal (TSB) e os Auxiliares em Saúde Bucal (ASB).

De acordo com a justificativa apresentada, dados da Frente Nacional em Defesa dos Técnicos e Auxiliares em Saúde Bucal indicam que o país tem mais de 400 mil técnicos e auxiliares nessa área, além de milhares de trabalhadores nos setores de laboratório e radiologia.

Na avaliação citada pelo autor, essas categorias têm relevância estrutural para o atendimento, mas ainda não contam com piso salarial legal próprio. Atualmente, segundo a justificativa, os profissionais estão submetidos às regras gerais da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e às negociações coletivas.

Valor seria proporcional à jornada

O piso de R$ 3.624 seria aplicado à jornada de 20 horas semanais. Para cargas horárias diferentes, o valor seria calculado proporcionalmente, respeitado o teto de 40 horas por semana.

O projeto também prevê atualização anual do piso, sempre em 1º de janeiro. Para trabalhadores da iniciativa privada e empregados públicos, a correção acompanharia a variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

No caso dos servidores estatutários, o reajuste dependeria de lei específica do respectivo ente federativo. A regra diferencia, portanto, os critérios aplicáveis conforme o vínculo profissional.

Texto prevê descanso e adicional de 50%

Além da remuneração, o PL 3038/26 define que a jornada normal será de quatro horas diárias. O profissional poderá cumprir até duas horas extras, desde que exista acordo escrito ou situação de força maior.

O trabalho noturno e as horas extras teriam remuneração 50% superior ao valor da hora normal. A proposta também garante repouso de 10 minutos a cada 90 minutos de trabalho.

Para os profissionais que atuam para mais de um empregador, o texto estabelece limite total de seis horas de trabalho por dia. A medida considera a soma das jornadas cumpridas nos diferentes vínculos.

Tramitação na Câmara

O projeto será examinado em caráter conclusivo pelas comissões de Saúde; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Nesse tipo de tramitação, a proposta pode ser aprovada pelas comissões sem passar pelo plenário, salvo nas hipóteses previstas nas regras da Câmara.

Para virar lei, porém, o texto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

O projeto prevê que o custeio da medida no setor público seja realizado por meio do Fundo Nacional de Saúde (FNS).

Fonte: Agência Câmara de Notícias. Foto: Bruno Concha/Secom-Salvador.