segunda-feira, 2 de novembro de 2026
DIREITOS HUMANOS

Daniel Vidal leva discussões sobre preconceito e participação social a encontro com Lula

Aos 13 anos, estudante de Brasília com deficiência visual defende mais acessibilidade, combate ao capacitismo e envolvimento de jovens nas decisões do país.
Daniel Vidal leva discussões sobre preconceito e participação social a encontro com Lula
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

As conversas em família sobre história, geopolítica, desigualdade e preconceito ajudaram a formar o interesse do estudante Daniel Vidal Moura, de 13 anos, por temas políticos e sociais. Morador da Asa Sul, em Brasília, ele defende que pessoas com deficiência tenham mais acesso a recursos de inclusão e que os jovens participem das discussões sobre o futuro do país.

Daniel tem menos de 5% da visão nos dois olhos em razão da Amaurose Congênita de Leber, doença genética identificada quando ele tinha dois meses de vida. Para acompanhar as atividades escolares no computador, utiliza um teclado eletrônico em braille. Na avaliação do estudante, o governo deveria ajudar outras pessoas a obter equipamentos semelhantes.

Encontro com o presidente

As opiniões fazem parte dos assuntos que Daniel gostaria de ter desenvolvido durante o encontro de cerca de 50 segundos que teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A conversa ocorreu no dia 27, do lado de fora da grade do Palácio da Alvorada, durante uma homenagem organizada por eleitores para marcar o aniversário de 81 anos do presidente.

Acompanhado do pai, o bancário Fernando Moura, de 46 anos, o estudante decidiu faltar à aula de futebol depois de saber da homenagem. Ele vestia uma camisa da seleção brasileira com o número 13, a mesma usada quando abraçou Lula. Daniel conseguiu agradecer pelas políticas públicas e dizer que também deseja ser presidente.

Segundo o estudante, se tivesse mais tempo com Lula, falaria sobre políticas públicas, acessibilidade e a participação dos jovens na política. Também sugeriria a criação de um ministério exclusivo para pessoas com deficiência. Desde janeiro de 2023, o país conta com uma Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Dificuldades de acessibilidade

A experiência pessoal orienta parte das críticas feitas por Daniel às condições encontradas em espaços públicos. Ele cita pisos irregulares, prédios sem rampas ou elevadores e limitações no transporte público como obstáculos para pessoas com deficiência.

O estudante também afirma que o país precisa combater o capacitismo. O pai diz que o tema é discutido em casa com os irmãos de Daniel, assim como o racismo e a homofobia. Fernando, que é negro, conversa com o filho sobre as manifestações cotidianas do racismo, enquanto Daniel demonstra interesse pelas aulas de história do Brasil e pelos efeitos da escravidão.

Participação dos jovens

Estimulado pelos pais desde a infância, Daniel acompanha notícias sobre economia, desigualdade e outros assuntos do mundo. A mãe, a servidora pública Raquel Vidal, de 45 anos, conta que lia para o filho desde os primeiros meses de vida e que ele sempre se interessou por história e geopolítica.

O estudante conversa com colegas sobre jovens que não têm os mesmos privilégios e defende maior envolvimento dos adolescentes na vida pública. Para ele, mesmo que o voto só seja permitido a partir dos 16 anos, os jovens devem participar mais das discussões e das ações políticas.

Daniel também afirma que é preciso cobrar o cumprimento de promessas e o fortalecimento de políticas públicas. A mãe diz que deseja, acima de tudo, que o filho seja feliz e tenha acesso a oportunidades.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil