sábado, 31 de outubro de 2026
DIREITOS HUMANOS

Na Barra da Tijuca, cena de homem negro acorrentado provoca pedido de investigação

Ministério da Igualdade Racial enviou ofícios ao Ministério da Justiça e à Procuradoria Regional Eleitoral após vídeo associado a ato de campanha de Flávio Bolsonaro circular nas redes sociais.
Na Barra da Tijuca, cena de homem negro acorrentado provoca pedido de investigação
Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos

O Ministério da Igualdade Racial encaminhou, na manhã do dia 25, ofícios ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e à Procuradoria Regional Eleitoral do Estado do Rio de Janeiro para solicitar a investigação de uma cena registrada durante uma manifestação em favor do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). O episódio ocorreu na tarde do dia 24, na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Descrição da cena

Um vídeo publicado em redes sociais e sites de notícias mostra um militante branco conduzindo um homem negro acorrentado durante o último ato de campanha do candidato. Segundo a descrição das imagens, o apoiador vestia calça e jaqueta nas cores verde e branco, com aplicações da bandeira do Brasil, além de camisa e tênis azuis.

O homem negro usava uma camisa com listras vermelhas e pretas, bermuda preta e carregava um tridente. Durante a gravação, o homem branco se referia a ele como “Luladrão, Satanás e Capiroto”.

Flávio Bolsonaro estava em um trio elétrico acompanhado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL).

Pedido de apuração

Nos ofícios, o Ministério da Igualdade Racial pediu que o Ministério da Justiça e a Procuradoria Regional Eleitoral investiguem o episódio. A pasta classificou a ocorrência como crime racista e afirmou que a cena reproduz uma dinâmica associada ao período escravagista.

“É inaceitável que uma pessoa negra seja acorrentada e humilhada, especialmente por reproduzir uma dinâmica já reconhecida pela Organização das Nações Unidas como o maior crime já cometido contra a humanidade”, afirmou o ministério em nota.

A pasta também declarou que cenas desse tipo, quando ocorrem no contexto eleitoral, têm significado relacionado às marcas que a sociedade ainda carrega do período escravagista e às feridas deixadas por esse processo.

Manifestação de Anielle Franco

Antes do envio dos ofícios, a deputada federal eleita pelo Rio de Janeiro Anielle Franco (PT) publicou uma mensagem na rede social X informando que acionaria o Ministério da Igualdade Racial. Ela mencionou tanto o caso ocorrido na Barra da Tijuca quanto um episódio de intolerância religiosa registrado em Belo Horizonte durante atos bolsonaristas.

Na capital mineira, segundo a publicação, uma mulher rasgou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante uma manifestação em apoio a Flávio Bolsonaro. Anielle afirmou que buscaria informações sobre as medidas cabíveis em relação às duas ocorrências.

Os ofícios encaminhados pelo Ministério da Igualdade Racial formalizam o pedido de investigação sobre a cena registrada no Rio. Não foram informados, na divulgação, prazos para as apurações ou resultados de providências adotadas pelos órgãos destinatários.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.

Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos