quarta-feira, 4 de novembro de 2026
DIREITOS HUMANOS

América Latina reúne quatro faixas de idade para responsabilização juvenil, aponta Unicef

Levantamento mostra que Brasil e outros seis países latino-americanos adotam 12 anos como idade mínima, enquanto a maioridade penal geral permanece em 18 anos nos países do G20 analisados.
América Latina reúne quatro faixas de idade para responsabilização juvenil, aponta Unicef
Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos

Os países da América Latina analisados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) adotam quatro faixas diferentes de idade mínima para responsabilização criminal de adolescentes. Brasil, Costa Rica, El Salvador, Equador, Honduras, México e Panamá estabelecem o limite em 12 anos. Em outros países, a idade varia entre 13, 14 e 16 anos.

O levantamento foi divulgado nesta quarta-feira (4) e também aponta que nenhum dos 19 países do G20 tem, como regra geral, maioridade penal inferior a 18 anos. A mesma referência é observada nos países latino-americanos analisados pela organização.

Quatro faixas na região

Além do grupo que adota a idade mínima de 12 anos, Guatemala, Haiti, República Dominicana e Uruguai estabelecem o limite em 13 anos. Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Venezuela fixam a idade em 14 anos. Cuba aparece com o maior limite da lista, de 16 anos.

O Unicef diferencia responsabilização criminal de maioridade penal. A responsabilização permite que o adolescente responda perante a Justiça por uma infração em um sistema específico para sua faixa etária. Já a maioridade penal corresponde à idade a partir da qual a pessoa pode ser julgada como adulta e cumprir pena no sistema prisional comum.

Comparação entre os países do G20

Entre os integrantes do G20, Arábia Saudita e Índia têm a menor idade mínima indicada para responsabilização, de 7 anos. Reino Unido, Estados Unidos e Austrália adotam faixas entre 10 e 12 anos. Brasil, África do Sul, Canadá, Indonésia, México e Turquia estabelecem o limite em 12 anos.

Na França, a idade mínima é de 13 anos. Alemanha, Argentina, Coreia do Sul, Itália, Japão e Rússia fixam o limite em 14 anos, enquanto a China adota 16 anos. O grupo é formado pelos 19 países com os maiores produtos internos brutos, além da União Europeia e da União Africana.

Posição apresentada pelo Unicef

Segundo o representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, os países do G20 concentram 60% da população mundial e reconhecem que é possível responsabilizar adolescentes sem tratá-los como adultos. A organização defende que a responsabilização ocorra em estruturas próprias, e não em prisões destinadas à população adulta.

Gonzalez-Aleman afirmou que a mistura de adolescentes e adultos no mesmo sistema prisional pode aproximar os jovens de redes criminosas mais estruturadas e romper vínculos com a escola, a família e a comunidade. Ele também declarou que a reincidência é menor no sistema socioeducativo do que nas prisões para adultos.

O representante resumiu a posição da entidade ao afirmar que adolescentes que cometem atos infracionais devem ser responsabilizados, mas não precisam ser tratados como adultos. No caso brasileiro, mencionou que a responsabilização já ocorre a partir dos 12 anos, com encaminhamento ao sistema socioeducativo.

Exceções à regra geral

Embora nenhum país do G20 estabeleça de forma geral que menores de 18 anos sejam julgados como adultos, o levantamento registra exceções em Estados Unidos, Arábia Saudita, Índia, Canadá, Reino Unido, Japão e Coreia do Sul. Na América Latina, apenas Cuba aparece com exceções para a maioridade penal aos 18 anos.

O Unicef não detalhou quais são essas exceções. A divulgação cita que, nos Estados Unidos, determinados agravantes, como uso de violência, emprego de arma ou existência de antecedentes criminais, podem levar casos das varas da infância para juizados criminais.

O tema voltou ao debate no Congresso durante a votação da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública. O Senado aprovou a proposta sem emendas que buscavam equiparar adolescentes a adultos. Emendas que tratavam da redução da maioridade penal de 18 para 16 ou 14 anos não foram acolhidas pelo relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), que recomendou a tramitação dessas medidas em propostas autônomas.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.

Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos